| 2 comentários ]



É com enorme prazer que vemos a passagem do blog barrosodigital a site (http://www.rotasdobarroso.com/).

Para quem gosta de aventura e desportos radicais encontra neste espaço um pouco de tudo:

BTT
CANOAGEM
CANYONING
CICLO-TURISMO
FOTOGRAFIA
MONTANHISMO
PARAPENTE
TREKKING
VIAGENS
ETC.

Vale a pena uma visita: http://www.rotasdobarroso.com/

Vítor Afonso

| 0 comentários ]

Trova do Vento que Passa

"Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz
nada só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não."

Manuel Alegre

Publicado por: Vítor Afonso

| 6 comentários ]

Em contraposição aos números do despovoamento, são-nos agora revelados os números do recenseamento. Enquanto os primeiros nos preocupam, os segundos deixam-nos perplexos.
Um concelho que actualmente terá pouco mais de 10.000 habitantes (reparem que eu falei em habitantes e não em eleitores), tem inscritos nos cadernos eleitorais 16.681 eleitores. Há números que nos transcendem e pelos vistos a matemática eleitoralista é muito diferente da matemática que aprendemos na escola.


MONTALEGRE (concelho) 16 681


Cabril 720
Cambeses do Rio 275
Cervos 546
Chã 1 153
Contim 254
Covelães 281
Covelo do Gerês 239
Donões 92
Ferral 570
Fervidelas 199
Fiães do Rio 161
Gralhas 309
Meixedo 444
Meixide 172
Montalegre 1 889
Morgade 367
Mourilhe 283
Negrões 323
Outeiro 224
Padornelos 290
Padroso 192
Paradela 287

Pitões das Junias 291
Pondras 268
Reigoso 310
Salto 2 223
Santo André 389
Vilar de Perdizes (São Miguel) 793
Sarraquinhos 521
Sezelhe 255
Solveira 350
Tourém 246
Venda Nova 418
Viade de Baixo 995
Vila da Ponte 352

Vítor Afonso

| 7 comentários ]

"O emigrante" - José Malhoa (não, não é o cantor!)


O combate ao despovoamento/desertificação deveria estar no topo das prioridades dos próximos anos. Como já escrevi num texto anterior, um recente estudo da OCDE refere que "nas áreas mais pobres investe-se mais na construção de equipamentos e de infra-estruturas do que na promoção de actividades que permitam a criação de emprego." Julgo que isto não é novidade para ninguém, pois todos nós, de um modo ou de outro, constatamos esta realidade.
Montalegre, no espaço de 10 anos, entre 1991 e 2001, perdeu 17,5% da sua população, estando neste momento em posição previlegiada para se tornar num sério candidato ao pódio nas próximas estatísticas! Dos 308 concelhos, apenas 3 têm taxas mais elevadas. Já sei que muitos vão dizer que Boticas está pior. Pois está, pelo menos neste e noutros aspectos, por conseguinte, também é verdade que está melhor em outros. Todavia, enquanto a nossa bitola de comparação for o vizinho concelho de Boticas, algo vai mal na capital das Terras de Barroso.
Urge uma visão mais alargada, cosmopolita e globalizante, desprendida da mesquinhez que tantas vezes tem caracterizado as formas de actuação de um passado recente.
Vítor Afonso